Para ler e pensar

Nossos olhos
                                         ( Eder Roberto Dias )



Nossos olhos não foram feitos para ver tantas maldades! Que se estampam como coisas banais, naturais e comuns em meio à vida, em meio ao que discutimos e não apresentamos soluções. Das lágrimas deveria haver a personalidade em nos apresentarmos como algozes fortes das proibições das agressões e das maneiras em se conter a disseminação do poder pelo poder do ruim. Somos seres humanos, somos sangue do mesmo sangue e carne da mesma carne! Matar nos torna bestas feras, nos desqualifica ante a apresentação de nosso nascimento e, tange nosso caminho, a obscuridade de nosso maior inferno pessoal. A apática forma de nos reconhecermos iguais nos leva ao desencontro com a origem, nos remove das estruturas purificadoras de um bem que poderia ser alcançado e doado por todos nós em nossa presença no planeta. Nossa casa está em desordem! Em uma bagunça por coisas que não somam, não multiplica ou nos torna a essência boa do que estejamos fazendo por aqui. Se meus olhos choram, não é por mim, mas por todos nós que apenas repaginamos as mesmas páginas de todos os erros que já acontecidos, se repetem e repetem. Agressões aos nossos semelhantes só nos levam às guerras sociais, raciais, étnicas e de conceitos nada nobres e eficazes para o que deveria ser bom, sensato e abrangente. Aplicamos a demagogia, a cegueira e empunhamos a sórdida forma em lavarmos as mãos que nem Pilatos diante de Jesus. Esquecemos que o tempo nos matará, que as circunstâncias de nossa escravidão por coisas matérias nos deixará sozinhos, abandonados e deprimidos nos passos de nossa morte diária. Nos faremos mortos até que a morte venha nos pegar e nos levar a um lugar obscuro como a nossa falsa moral e opinião de vida. Viver requer mais que pagarmos as contas, que irmos a um cinema ou teatro... A vida requer presença com atitudes que dignifique quem realmente somos; não podemos gerar outro nascimento se não reconhecemos ou sabemos o valor do amor. Hoje, chorei feito uma criança que em fome busca o seio materno, como uma criança desprotegida que precisa do calor de sua mãe e do amparo de seu pai. Vi o ódio matar pessoas que de tão pobres esmorecem ante a fragilidade de suas não verdades. Senti-me impotente, morto como elas que sabem que não haverá ninguém a gritar por suas dores do espírito. Minha alma se liquefaz e escorre na absorção negativa dos olhos vendados que falam de milhões de euros, reais, dólares, libras que são confeccionadas para demonstrar poder aonde o poder só existe na relação injusta da vida humana. Cansei de ouvir aos alardes pecaminosos dos imbecis! Apenas quero respeito ao que farei diante de minha vida, posso não salvar o mundo, porém salvarei o meu espírito, a minha alma e decência moral ante a tudo que não deixarei que lavem as mãos e digam que não são culpados por cada morte sem sentido que acontece em nosso planeta. Amo a vida, mas amo ainda mais o direito que todos nós temos de viver.

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